Francisca Júlia (18711920) desafiou a lógica de uma época que duvidou que mãos femininas pudessem talhar sonetos perfeitos. Da rigidez clássica de seus primeiros mármores às brumas místicas de seu fim, sua obra é um triunfo da forma sobre o caos sentimental, provando que a contenção é a maneira mais elegante de arder.Esta antologia convida a percorrer a galeria silenciosa da Musa Impassível, revelando o trajeto de uma escultora de versos que buscou a eternidade na pedra. A obra se desdobra em quatro movimentos:- O Cinzel e a Forma: O manifesto estético de uma arte que recusa a lágrima fácil para cultuar a perfeição técnica.- Galeria de Pedra: O apogeu visual do Parnasianismo, onde deuses e centauros são congelados no auge da tensão.- A Sombra da Esfinge: A virada para o mistério, onde a clareza solar cede lugar ao enigma oriental e à dúvida.- O Sono dos Deuses: O retorno solene à natureza e a aceitação da morte não como fim, mas como repouso.Esta edição resgata a monumentalidade de uma autora que, recusando ser objeto inspirador, assumiu o papel de artífice, deixando um legado onde o silêncio grita mais alto que a dor.