Os estudos sobre história e música no Brasil datam dos anos 1930 e, por longo tempo, desenvolveram-se a partir de duas vertentes. Uma delas, capitaneada por intelectuais e com forte cunho nacionalista, procurou diferenciar a "boa música popular" da música dita popularesca. A outra foi explorada por indivíduos mais próximos ao universo dos músicos e compositores que atuavam nos meios radiofônicos e fonográficos, na imprensa, nas rodas musicais e no mundo dos espetáculos.
Tais vertentes passaram a sofrer questionamentos a partir dos anos 1990, quando começaram a ser adotadas novas perspectivas teóricas e utilizadas fontes alternativas nos trabalhos sobre o tema, ao mesmo tempo em que se estreitaram os diálogos com a Antropologia, a Musicologia, a Etnologia e a Sociologia da Música.
Os capítulos que integram este livro não fogem a estes debates travados por especialistas. Não se assuste, porém, o leitor. Em função da necessidade de apresentá-los numa linguagem acessível a um público amplo e diversificado, o livro filtra tais discussões, bem como os argumentos técnicos das análises musicais, procurando simplificá-los ao máximo para um melhor aproveitamento dos leitores que não têm domínio desses temas, sem contudo renunciar aos princípios básicos do ofício do historiador, isto é, a formulação de problemas, a pesquisa com fontes, a racionalidade narrativa, os debates historiográficos e o diálogo entre passado e presente.